sexta-feira, 8 de julho de 2016

O resgate de Hope - por Ana Rita Hermes


Ana Rita, da ONG FRADA, de Joinville/SC,  compartilha com a gente a história de seu primeiro resgate. Aquele que a fez entrar para a proteção animal, mudou sua vida e, claro, de muitos anjos com asas nas orelhas! 
Bendita HOPE!
Nas palavras dela, cuja história recebi por email: Numa tarde de chuva, passando de carro numa rua ao lado da marginal da BR 101,  vi uma coisa se mexendo, no chão. Fiquei em dúvida se era um animal e acabei voltando, para verificar. Era esta menina. O local era quase sem casas, mas quando cheguei perto, uma senhora veio me dizer que parecia que a cachorrinha tinha sido atropelada. Sem dúvidas a coloquei no carro e a levei ao veterinário. Além de ter convulsões, estava cega dos 2 olhos, mas quem conta melhor essa história é a Sheila Wehling, que fez o texto abaixo, sobre ela, na época. 

Esperança



Há alguns dias, jazia em uma estrada qualquer, entre pedras e folhas, um montinho de pelos.

Embora seu corpinho magro ainda respirasse, sua alma talvez já houvesse desistido de viver neste mundo. Quem a encontrou, não aceitou desistir. Não pensou em custos, não pensou no trabalho que teria, nem nas conseqüências da responsabilidade que estava assumindo. Sua compaixão viu apenas que havia uma vida a ser salva.

Talvez, diante da primeira demonstração de amor de sua vida, tenha resolvido ficar aqui.
No primeiro dia, de tão fraca sequer conseguia comer. Recebeu soro e afeto. Depois um banho e tosa. Um pouco arredia abanou o rabinho para a moça que lhe tirou o emaranhado de pelos. Talvez a primeira a lhe tocar com carinho.

        À esquerda, o emaranhado de pelos que saiu dela.
Uma mix shnauzer.


Passaram-se alguns dias, muitos  exames e uma notícia - é cega.  Pode ter sido pela desnutrição, uma anemia profunda ou um problema neurológico causado pelo atropelamento que sofreu.


Talvez seja reversível. Talvez não.

Foi batizada de Hope, que quer dizer esperança em inglês. Esperança de que sobreviva. Esperança de que encontre alguém muito especial para guiá-la por toda a vida. Esperança de que nunca mais seja abandonada. Esperança de um mundo sem preconceitos.

Em humanos o sentido mais importante é o da visão, nos cães, é o olfato, seguido da audição. Portanto, a nossa garota poderá ter uma excelente qualidade de vida. Ela precisará penas encontrar um humano especial, um humano-guia, que a aceite com suas (poucas) limitações e tenha alguns cuidados para facilitar sua vida. Caberá a esta pessoa especial ter a sensibilidade de ensinar à Hope onde estão sua água e comida, falar com ela antes de tocá-la, não ficar mudando os móveis de lugar. Não deverá ser tratada de forma diferente dos outros cães. Nada de mimos ou excessos de cuidados. Apenas ser  tratada com amor, dignidade e respeito pelo que ela é: um cão.

A Hope não tem um “problema”. Problema tem quem trata outros seres vivos como objetos, compram, vendem, alugam, jogam fora; quem não vê a beleza do amor, do afeto, do companheirismo de uma criatura tão especial quem é incapaz de se doar e de se comprometer. Problema tem a pessoa-monstro que a abandonou.

Hope sobreviveu, está lutando bravamente pela sua recuperação e apesar de todo o sofrimento pelo qual passou é uma garotinha muito especial.  Todos que de alguma forma participaram desta história de superação têm esperança de que exista uma família amorosa, comprometida e sem preconceitos esperando para cuidar dela. E que sejam felizes PARA SEMPRE!