terça-feira, 7 de maio de 2013

Desabafo da LISE, adotante da Dhara (ex Lindinha)

Conheço a Lise, claro, a queridona que adotou a "minha" Dhara. Eu a assumi ano passado. Era mais uma cadelinha que havia sido abandonada e estava na rua, muito dócil e submissa,  num bairro de São José/SC, cidade vizinha de Floripa, um caos que não tem nenhum tipo de política pública para os animais, até hoje. Quando levei-a para castrar foi constatado  piometra... ela teria morrido na rua. Ela foi mais uma que ficou na ho$pedagem da "tia Sônia" em 2012. Tão linda, calminha e querida que a chamei de "Lindinha" mesmo. Doei a Lindinha Dhara para a Lise pois algumas pessoas mostram nos olhos a bondade e tremendo amor que têm dentro de si. Lise é assim. Passeia diariamente com sua "filha", trabalha muitas vezes com ela ao lado. Tinha medo de não ser boa mãe - Se superou. Quando ela fala que cachorro é cachorro, não tem a conotação negativa de quem não cuida. Elas moram em apartamento e a Dhara tem de tudo e com conforto, posso atestar. Então, quando questionam sobre seus cuidados, natural que ela se ofenda. Achei tão lindo o desabafo pois é justo e muitas pessoas têm esta culpa...Claro que eles gostam de correr e na medida do possível ela passeia bastante, ou seja, ela é uma ótima mamãe! Por observação, hoje sabemos de certeza que, por maior seja o quintal, eles querem mesmo é estar perto da gente e isso a Dhara tem de tudo e a Lise por perto. Resumindo, tenho visto muitos cães de apto bem mais cuidados e felizes do que muitos que ficam abandonados num quintal enorme (na maioria das vezes sendo comidos por parasitas). Então a regra aqui é amor e cuidado. Como com crianças, é a qualidade do tempo que conta e bom senso. Sejam felizes meninas!



Um desabafo sobre Dhara (por Lise Paim)

Volta e meia, converso com alguém que, perguntando pela cachorra Dhara me lança o seguinte comentário “E ela fica sozinha em casa, né?” ou qualquer coisa do gênero com o mesmo sentido de dizer “Ela está sozinha, presa em um apartamento pequeno”. E eu me pego em explicações nada coerentes e me amaldiçoou porque não penso rápida e organizadamente (Maldito mercúrio em peixes!).
Acho que vou imprimir uma declaração e deixar no bolso. Uma declaração que diga assim:
“Olhe, ser humano, você, como ser humano, está raciocinando como um...ser humano! A cachorra é uma cachorra... Um bichinho que vivia na rua. Na rua, tinha toda a liberdade de ir e vir... Mas estava, também, sujeita às maldades de outros seres humanos, estava doente, com uma infecção no útero que provavelmente a teria matado... com infecção nos ouvidos que me custou os tubos para curar... sem vacinas.... sem comida... sem abrigo... passava frio, fome e não tinha carinho. Tinha problema no pelo, como uma caspa, devido à má alimentação. Hoje, ela fica seis horas por dia sozinha, sim. 
Sozinha e trancada em um apartamento.

Esse é o preço cruel que ela paga para comer da melhor ração, para ter feito todas as

vacinas, ter sido medicada e visitar o veterinário regularmente. Para ter uma caminha com cobertas limpas e trocadas periodicamente. Para tomar banho uma vez por semana, ter as unhas cortadas e os ouvidos limpos; para não ter pulgas nem qualquer outro parasita. Para tomar vermífugo de acordo com as especificações de seu veterinário particular sem ter falhado uma única vez. Para receber carinho, e muito, todos os dias. Para ter brinquedos, passear diariamente e viajar com alguém que sempre fará de tudo para que ela esteja bem e que nunca, jamais, irá abandoná-la e nem poupará dinheiro para restaurar a sua saúde se preciso for. Para ser muito afofada e ter hoje um pêlo lindo que todos elogiam porque ela come bem... e muito! Sabe, ser humano, se você estivesse abandonado na rua e estas condições lhe fossem oferecidas tendo que pagar o preço de permanecer sozinho seis horas por dia... muito provavelmente você, ser racional, aceitaria sem pestanejar! E mais, nos dias em que não trabalho e que fico em casa com Dhara sabe o que ela faz a tarde toda? Dorme. Dorme na sua caminha limpinha e cheirosa. Porque os cães são assim. Pesquisas mostram que os cães demonstram maior satisfação quando têm a atenção constante de alguém em quem podem confiar do que quando têm um espaço enorme a sua disposição, mas sem afagos. Então, ser humano, entenda, para toda a vida, que tudo tem que ser compreendido em seu contexto e não a partir de uma visão antropocêntrica e mal-embasada. Pare de julgar o que você não viveu... e pare de achar que as suas necessidades são também as necessidades dos outros. Racionais ou não.” UFA!