sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Expectativa de vida canina ( por Fowler Braga)

Recebi este texto, por email, em  Fevereiro de 2008. Hoje, infelizmente, tive uma confirmação da pesquisa pela morte de uma cadelinha que doei. Triste.

Expectativa de vida canina
Uma pesquisa revelou um dado assustador: cachorros vivem, em média, 3 anos, mesmo tendo lares e donos responsáveis por eles.
Saiba o que fazer para seu cão viver muito além disso
Agora, em janeiro, a imprensa divulgou um estudo publicado em meados de setembro do ano anterior demonstrando que a vida média de cães em São Paulo é de 3 anos. Foi uma surpresa para nós que trabalhamos na proteção e defesa animal, pois os 2011 bichos que foram objeto do estudo estavam domiciliados e tinham um proprietário.
As três principais causas para a morte foram:
Doenças infecciosas: 35,11%
Neoplasias: 13,28%
Traumatismos: 13,08%
Embora o estudo tenha sido realizado em São Paulo, ele pode (com as devidas proporções) ser projetado para todo o país. Os autores inclusive valeram-se de estudos similares realizados em outros países para estabelecer um padrão comparativo. Veja os índices internacionais de expectativa de vida dos cães, bem superiores aos brasileiros (entre parenteses, o autor e ano de publicação):
Inglaterra: 11 anos (Mchell, 1999)
Dinamarca: 10 anos (Proschowski et al. 2003)
Suécia: 10 anos (Bonnete et al., 1997)
Estados Unidos: 9,9 anos (Bronson, 1982)
Japão: 8,3 anos (Hayashidani et al. 1998)
Voltando ao Brasil: nas conclusões do trabalho, que foi conduzido por quatro veterinários, com animais que morreram de 1995 a 2005, lemos:
Este estudo permite concluir que a taxa média de sobrevivência dos cães no município de São Paulo foi de 36 meses de idade. Os animais de porte médio, grande e gigante tiveram maior longevidade que os cães de pequeno porte. Não houve diferença na taxa de sobrevivência dos animais em relação ao fato de apresentarem ou não raça definida. As fêmeas viveram mais que os machos e os animais castrados sobreviveram mais que os não castrados. As doenças infecciosas constituiram a principal causa da morte, seguida de neoplasias e traumatismos.
Isso mostra o quanto ainda temos que aprender, ou no nosso caso, ensinar. É inadimissível que um animal domiciliado, e tendo alguém que deveria ser responsável por ele, ter uma vida inferior a 15 anos.
A experiência no convívio com animais, mostra o contrário do que o estudo mostrou. E por que? Porque nos animais que convivi apliquei todos os pontos daquilo que chamamos de posse responsável. Mas vou me limitar a comentar o que o estudo mostrou.
O estudo apontou que 35% de animais morreram por doenças infecciosas, ou como chamamos doenças espécie/específicas como cinomose e parvovirose. Em pleno século XXI é inaceitável que isso ainda ocorra, pois temos vacinas modernas, seguras e de custo acessível. E por que as pessoas não vacinam seus cães? Desconhecimento é o principal motivo.
10 atitudes para seu bichinho viver mais!
1. Muita gente ainda acredita que vacinar seus cães uma vez por ano, durante a campanha de vacinação contra a raiva é o suficiente. NÃO É! Todos os cachorros devem receber a vacina múltipla (V8 ou V10) a partir dos 60 dias de vida.
2. Filhotes devem receber esta vacina com 60, 90 e 120 dias de vida e, a partir daí, renovar a vacinação anualmente.
3. A vacina de combate à raiva deve ser dada a primeira dose com 120 dias de vida e renovada anualmente.
4. A vacina múltipla custa entre R$ 40 a R$ 80, dependendo se é V8 ou V10 e em qual clínica for aplicada. Não existe um controle de preços.
5. Observe sempre se a clínica onde vai vacinar seu animal mantém as vacinas em câmara fria, com temperatura controlada e, principalmente, se existe um sistema que garanta fornecimento de energia para casos de queda de luz. Se a temperatura da câmara não permanecer entre 2ºC e 8ºC , a vacina perde totalmente o efeito.
6. Sempre leve seu animal para ser vacinado por um veterinário, que é a pessoa indicada e qualificada para fazer isso. Se o animal não estiver em condições perfeitas de saúde, e receber a vacina, ela poderá não ter efeito algum e ocorrer o que chamamos de "falha vacinal". Basta um pequeno resfriado, ou uma pequena febre para que isso ocorra.
7. Animais castrados vivem mais do que animais que não são castrados.
8. A castração evita neoplasias de mama e útero nas fêmeas e de próstata nos machos. (neoplasia foi a segunda maior causa das mortes constatada pelo estudo)
9. A castração evita a pseudociese ( pseudoprenhez ou gravidez psicológica), que causa grande desconforto nas cadelas, além de as predispor a uma neoplasia.
10. Outra vantagem dos animais castrados é a diminuição da fuga deles e suas conseqüências: atropelamentos, brigas entre machos, etc (lembrando que traumatismo foi a terceira maior causa de morte, segundo o estudo)
Pequenos e grandes
A pesquisa revelou menor longevidade em animais de pequeno porte. Mais uma vez, temos aqui sinais claros de desinformação. Na prática que vivemos em proteção animal é exatamente o contrário. Animais menores tem longevidade maior.
E por que no estudo mostrou o contrário? Tudo leva a crer que a maior incidência de animais de pequeno porte pela verticalização da cidade. E muitos destes animais podem ter sido adquiridos de fontes não seguras, por exemplo, das feiras de filhotes que estão espalhadas pelas cidades.
Na semana passada eu recebi uma reclamação de uma proprietária que adquiriu um filhote de Yorkshire com 60 dias (segundo o vendedor) e que após uma semana manifestou cinomose. O vendedor alegou que o animal já havia reebido duas doses de vermífugo e três de vacina espécie/específica.
Como? Apesar de tecnicamente incorreto e impossível, se o animal houvesse realmente recebido todas estas vacinas, provavelmente não teria sobrevivido em função de um choque vacinal. Embora não seja possível provar, nossa experiência mostra que houve má fé e, talvez, até a falsificação da carteira de vacinação. Digo "talvez" pois não tivemos em mãos a carteira de vacinação, apenas o relato da proprietária. Mas posso garantir que recebemos informações como esta com relativa freqüência.
Qual a saída então?
Conscientização, informação, educação para a posse responsável e, principalmente, cobrar do poder público o seu comprometimento onde lhe diz respeito. Exatamente: cobrar do poder público, pois existem leis que protegem os animais e seus donos....
A adoção das medidas sugeridas neste artigo, com certeza, em médio prazo, aumentará a longevidade de nossos amigos caninos. O Projeto Focinhos Gelados tem feito desde 2004 palestras de conscientização junto a alunos do ensino fundamental e, desde 2006, é parceiro do programa Escola da Família, onde apresentamos o programa "Animal saudável é o bicho! ", que em 2008 terá um grande impulso com a formação de 410 multiplicadores.

(Fowler Braga é engenheiro, fundador do projeto Focinhos Gelados =  focinhosgelados@focinhosgelados.com.br )