sexta-feira, 1 de junho de 2012

CASTRAR SIM ! E quanto antes, melhor!

Alguns meses do ano parece que há mais ninhadas que outros e maio é um desses. Divulgaram muitas ninhadas, algumas resgatadas, outras não. Simplesmente não há tantas pessoas para cuidar, não mesmo! No Rio vermelho abandonaram 7 bebês, na chuva, com 10 dias de vida. Para morrer...por quê? É muita maldade, com todos, inclusive com a protetora que está cuidando deles, ou seja, de 2 em 2 horas, dando de mamar, e com a cadela, que deve estar procurando a cria, com leite empedrado e com dores. Ninguém merece! Fora as despesas de cuidar de bebês. Custa muito caro! Recebi o  texto abaixo por email em 2006, mas foi escrito em 2001! Embora aqui no BLOG tenha um link específico sobre castração (http://www.ficacaomigo.com/p/castracao-social.html), não custa reforçar, sempre. Por que é mais fácil matar do que castrar os cães? Não entendo, mas uma coisa eu sei:  A prefeitura precisa, urgente, começar a trabalhar em parceria com os postos de saúde dos bairros e cadastrar os cães e fazer convênios com clínicas para castrar NOS BAIRROS pois nem a DIBEA está dando conta, nem os protetores, que vivem pagando castrações particulares. A falta de condução + distância dificulta mesmo levarem os cães, ainda mais que funciona só nos dias de semana, quando as pessoas trabalham. Que tal um mutirão de castração 1 domingo no mês? Dá para melhorar...


Dr.ª Silvia Crusco, veterinária especializada em castração e
Claudia Pizzolatto, treinadora especializada em comportamento canino.
Artigo publicado na Revista "Cães & Cia" nº 260, de janeiro de 2001

CASTRAR SIM ... e quanto antes melhor!
            Quem convive com cães sabe. De repente, lá pelos 8 meses de idade, o filhotinho brincalhão começa a ficar adulto. Ou seja, a ter atitudes como ser possessivo; brigar com cães sem ser por brincadeira; encarar postes, pés de mesas e outros objetos como pontos do território a serem demarcados com urina; montar em cães, pessoas da casa ou visitas sem a menor cerimônia, entre outras artes. Na fêmea, de repente, aparece o sangramento do cio e suas conseqüências, como sangue no tapete e a presença dos cães da vizinhança na porta de casa.
            O início da puberdade - que nada mais é do que o começo da produção dos hormônios sexuais - significa mudanças para sempre no organismo e no comportamento do cão, que podem ser o ponto de partida para problemas de relacionamento com o dono e o desenvolvimento de maus hábitos. Por esse motivo, cada vez mais os comportamentalistas estão optando por recomendar a castração ... de preferência antes dos 8 meses de idade.           
            A ação dos hormônios sexuais dá início a comportamentos que podem continuar mesmo depois da castração, devido ao cão se acostumar a eles.  
            Do ponto de vista veterinário, a castração é o único meio de evitar a reprodução que previne, ao mesmo tempo, tumores no aparelho reprodutivo, muito comuns nos cães com idade madura e mais avançada. O problema resulta de um processo de multiplicação exagerada de células em órgãos do aparelho reprodutor, estimulado pelos hormônios sexuais.    
            Castrar a fêmea antes dos 8 meses também é recomendado. Nas cadelas que fazem a cirurgia depois entrar na puberdade, os casos de tumores na mama diminuem, mas não se tornam quase nulos, como acontece quando a castração é precoce.
            No Brasil, há veterinários castrando a partir dos 2 meses de idade, costume mais generalizado nos Estados Unidos. As técnicas cirúrgica e anestésica usadas em nosso país permitem realizar a castração precoce com grande segurança. É o caso da anestesia inalatória:  o cão dorme sedado, inalando um gás anestésico por um tubo ou máscara. A cirurgia é feita rapidamente, com pequenas incisões - nos machos a operação dura apenas 20 minutos e 40 nas fêmeas, sem precisar de internação.
            Nos Estados Unidos, torna-se cada vez mais comum castrar filhotes com apenas 7 ou 8 semanas de vida, já que a recuperação da cirurgia é mais rápida. Elimina-se qualquer chance de gravidez precoce, e a tecnologia permite esse avanço.
            Perde adeptos a opção pela castração com cerca de 1 ano de idade, para dar tempo de os hormônios sexuais agirem. Não foram jamais provadas as teorias pelas quais essa estratégia estimularia a hipófise a produzir o hormônio do crescimento, a desenvolver a ossatura e o macho a ganhar massa muscular. Pelo contrário, não é raro ver cães castrados mais desenvolvidos que seus irmãos de ninhada não castrados.
CORRIGINDO COMPORTAMENTOS - A castração ajuda a corrigir comportamentos indesejados, é o que garante um estudo feito em cães machos pelo Veterinary Medical Teachiong Hospital, da Universidade da Califórnia em conjunto com o Small Animal Clinic, da Universidade de Michigan.
Bastou a cirurgia ser feita para, em grande parte dos casos, cessar o comportamento indesejado.
- Fugir - 94% dos casos foram resolvidos, 47% deles rapidamente.
- Montar - 67% dos casos foram resolvidos, 50% deles rapidamente.
- Demarcar território - 50% dos casos foram resolvidos, 20% deles rapidamente.
- Agredir outros machos - 63% dos casos foram resolvidos, 60% deles, rapidamente.
  • Nos cães castrados, a agressividade por defesa territorial ou por medo não foram alteradas.
  • Alguns cães ficaram mais calmos e mais carinhosos, mantendo maior proximidade física com os donos, e deixando de encarar qualquer movimento como provocação.
CASTRAÇÃO,  PRECOCE  OU  NÃO?

COMPORTAMENTO e SAÚDE
CASTRAÇÃO DEPOIS DE
8 MESES
CASTRAÇÃO ANTES DE
8 MESES
Estabilidade de comportamento
Maior
Muito maior
Agressividade
por disputa sexual
Menor
Muito menor
Brigas
Com outros cães
Menos
Muito menos
Montar em outros
cães ou pessoas
Menos
Quase nulo
Demarcação de território
com urina
Menos
Quase nula
Possessividade
exagerada
Menor
Muito menor
Tendência a engordar
Alta
Mínima
Probabilidade de
Tumor na mama
Média
Quase nula
Maturidade emocional
Cerca de 2 anos
Cerca de 2,5 anos
Fugas em busca de fêmeas
Muito menos
Nulas
Instinto territorial
Inalterado
Inalterado
Instinto de guarda
Inalterado
Inalterado
Desenvolvimento físico
Inalterado
Inalterado

A comparação é feita tendo como base os cães não castrados.

   IDÉIAS  ERRADAS:  
"Cão castrado é mais propenso a problemas de saúde."
FALSO: a probabilidade de pegar doenças não aumenta com a castração. Antes pelo contrário: a retirada de útero e dos ovários, ou testículos, acaba com a possibilidade de infecções e tumores nesses órgãos, e de complicações ligadas à gravidez e ao parto. Sem acasalamentos, as doenças sexualmente transmissíveis deixam de representar risco. Cai a incidência de tumores da mama.
"Acasalar deixa o macho emocionalmente mais estável."
FALSO: dependendo das disputas, o acasalamento pode até causar instabilidade emocional.

"A fêmea precisa ter crias para manter o equilíbrio emocional."
FALSO: não há relação entre os dois fatos. O equilíbrio emocional fica completo com a maturidade, que ocorre por volta dos 2 anos nos cães não castrados. Se uma cadela se mostrar mais calma e responsável depois da primeira ninhada, é porque amadureceu devido a ter avançado na idade e não porque se tornou mãe.
"A falta de prática sexual causa sofrimento."
FALSO: o que leva o cão à iniciativa de acasalar e exclusivamente o instinto de procriar, e não o prazer nem a necessidade afetiva. O sofrimento pode atingir machos não castrados se vivem com fêmeas e não podem cruzar: ficam mais agitados, agressivos, não comem e perdem peso.
"Castrar reduz a agressividade do cão de guarda."
FALSO: a agressividade necessária para a guarda é determinada pelos instintos territorial e de caça e pelo treinamento, sem ser alterada pela castração.