segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sadismo NÃO é cultura e ponto final.

Com estes 2 maravilhosos filmes,  espero que muita gente repense sobre algumas "culturas" antigas e ultrapassadas, uma vez que hoje muito já se sabe sobre a senciência animal. Sejamos racionais, por favor.


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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

E a vida renasce...

 Em dezembro ganhei estes 2 ovinhos na minha floreira do apto. Considerei como um presente extra de Natal. Como dezembro e janeiro foram chuvosos, ajudei a mamãe pombinha a proteger os ovinhos dos temporais de verão. Ela não voa quando eu abro a janela. Não interferi no processo pois iria para a praia. Desta forma só coloquei um pratinho com água e o protetor de chuva. Primeiro foi uma bandeja de vidro  e depois melhorei a "casinha" colocando uma prateleira de madeira, forrada com plástico branco, esperando que ninguém notasse...
 Ali pelo dia 10/01 eles nasceram e eram bem pequenininhos.
 Eles estão crescendo. Logo abandonam o ninho
 e vão dar continuidade à vida.
Os vizinhos notaram e me falaram sobre doenças das aves. Pesquisei também,  mas eles só sairão dali quando estiverem independentes e voarem para longe.
Já tive outra dupla há alguns anos, e foi isso que aconteceu, mas parece que eles gostam da minha janela.... e eu deles!

Bem vindos ao mundo. Sejam LIVRES e felizes!
 Que os homens os deixem voar e crescer saudáveis!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

MARIA - menos uma nas ruas!

Maria ganhou um lar esta semana. Seu primeiro LAR.
 Cada caso é um caso, obviamente, mas alguns exemplos merecem ser divulgados, pois muita gente acha que não pode ajudar. Conseguir doar um animal que mora praticamente na rua,  é muito gratificante. Maria morava, de favor, num canteiro de obras, para onde foi levada por um pedreiro. Ela cresceu e ficou uma linda cadela,  mas enorme. Vivia passeando pelas ruas do bairro (onde há pessoas que envenenam cães), correndo risco de morte. Conversamos com o pedreiro e soubemos que logo ele poderia mudar de cidade e,  assim, o que seria dela? Ela ficaria, claro! Logo, o primeiro passo, foi castrá-la. Abaixo fotos dela na clínica, onde dormiu uma noite, para receber os cuidados necessários. No dia seguinte a devolvemos para o mesmo local, já recuperada  (protegemos os locais para não gerar abandonos, pois ali é mesmo perigoso e nem sempre todos têm essa boa estrela).
Abaixo, fotos de 2 dias antes de ir para a casa do adotante que, ao ve-las, se encantou. Ela é um mix de Rott com labrador...por aí... Espero que Maria tenha uma vida feliz e segura e que proteja sua nova família, como protegia o canteiro de obras que foi seu abrigo por quase um ano, com a diferença que vai ganhar, agora, conforto, companhia e carinho.


Logo o adotante mandará novas fotos e colocarei aqui, para
compartilhar a alegria de mais um final (ou começo de vida) FELIZ!!!!
Fica a dica:
Se você não pode ho$pedar, nem consegue Lares de Apoio,
ajude um animal de rua desta forma.
Castre, bata fotos e coloque para adoção,  mas SEMPRE faça
o termo de compromisso e leve na casa!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Fotos especiais de cães para adoção em FLORIPA/SC

Estes cães são adultos. Todos têm mais de 2 anos. Isso dificulta a adoção deles, pois todo mundo só quer filhotes. Eu não entendo por que isso. Um cão adulto já vem, normalmente, ensinado; entende o NÃO, não rói objetos com avidez, já tem um temperamento consolidado e você adota sabendo de sua personalidade. Dê uma chance para um cão ADULTO? Por serem adultos já sabem amar e demonstrar este amor, respeitando os espaços e o faz tranquilamente...Aqui alguns "maravilhosos de tudo", esperando um lar há mais de 2 anos. Fred e Totó só serão doados juntospor terem uma amizade fraternal como poucas. E  Pepa só poderá ser adotada para uma família mto carinhosa, para deixar de ser arisca. Ela desconfia dos seres humanos e, por isso, sobreviveu na rua, até ser resgatada por Duda Corsini . Obrigada João Paulo Perez ,  pelas novas fotos! Esta semana colocarei outras fotos, assim que João tiver disponibilidade de ir nos Lares de Apoio.
Compartilhe estas fotos, por favor? Obrigada









domingo, 22 de janeiro de 2012

"Puppy" ou Pupi Siebert Muller

A parte boa da proteção animal são as pessoas maravilhosas que encontramos e os excelentes adotantes. São eles que nos enchem de esperança para continuar, sempre. Esta semana recebi uma homenagem da Mariana Siebert, que me emocionou muito e me fez voltar no tempo, 3 anos. Divido com vocês:
                                                          De: Mariana Siebert
"O pequeno filhote e o cão mais velho estavam deitados à sombra, sobre a grama verde, observando os reencontros. Às vezes um homem, às vezes uma mulher, às vezes uma família inteira se aproximava da Ponte do Arco-Íris, era recebida por seus animais de estimação com muita festa e eles cruzavam juntos a ponte.

De repente houve um grande tumulto na ponte e O filhotinho cutucou o cão mais velho: "Olha lá! Tem alguma coisa maravilhosa acontecendo!" O cão mais velho se levantou e
latiu: "Rápido! Vamos até a entrada da ponte!"

"Mas aquele não é o meu dono", choramingou o filhotinho; mas ele obedeceu. Milhares de animais de estimação correram em direção àquela pessoa vestida de branco que caminhava em direção à ponte. Conforme aquela pessoa iluminada passava por cada animal, o animal fazia uma reverência com a cabeça em sinal de amor e respeito. A pessoa finalmente aproximou-se da ponte, onde foi recebida por uma multidão de animais que lhe faziam muita festa. Juntos, eles atravessaram a ponte e desapareceram.

O filhotinho ainda estava atônito: "Aquilo era um anjo?", perguntou baixinho. "Não, filho", respondeu o cão mais velho. "Aquilo era mais do que um anjo. Era uma protetora de animais que passou seu tempo na terra salvando vidas e olhando por nós...". (Autor Desconhecido)

Agradecimento especial à
Annita Petry, que foi o anjo da minha Pupi. Essa era a Pupi, depois da primeira adoção mal sucedida.
   Depois de tratamento e muito amor, ela melhorou pra sempre. Amo muito minha gorda! E agradeço ao anjo ruivo que resgatou ela e todos seus irmãos. 

Linda homenagem, né? Mas vamos aos fatos e as fotos são todas da mesma ninhada.

2009  foi, provavelmente, o ano que me descontrolei nos reagates,  e que culminou em 2 mordidas, muito sérias, que me obrigaram a dar uma parada e repensar minha atuação. Coisa que todos devemos fazer para manter uma vida saudável. Em janeiro eu estava com a casa lotada de animais. Como estava na casa de praia, podia ajudar muitos, pensava eu, e ia pegando cães pela ilha, e ajudando amigos, sem saber minhas reais capacidades. Se hoje tenho meus limites, provavelmente foi em 2009 que comecei a defini-los. Neste mesmo período conturbado "apareceu" uma ninhada no meu local de trabalho. Para quem ligaram? Para mim, mesmo estando de férias. Lá trabalham mais de 2.000 pessoas - Centro Administrativo do Estado... Isso que eu já havia retirado muitos de lá...Impressionante. E triste. Muito triste.

Uma amiga minha que trabalha lá bateu fotos para eu ve-los e pedir ajuda. Ela deu água e ração. O dia seguinte era uma sexta feira e o medo deles "sumirem" era assustador, e quem iria cuidar? Como eu estava impossibilitada de dirigir, uma colega fez o favor de ir lá com seu namorado e trouxe TODOS para minha casa. Eram 5 filhotes; e seriam porte médio/grande. Todos com carrapatos, pulgas, sujos, famintos...o jeito foi arrumar, dentro de casa um lugarzinho, ja que os 2 pátios estavam lotados. Limpá-los foi a primeira providência. Sorte que minha filha, Camila, estava aqui de férias e me ajudou a tirar os carrapatos. Muitos pelo corpo mas mais, dentro das orelhas! 


Estando com eles a salvo, pedi ajuda para lares de apoio,  por email.  Gracinha Ramos Arruda ficou com 2 machinhos para cuidar, que depois passaram a ser responsabilidade de Luiz Paulo Martini Santos que trabalhava no mesmo local que eu (ele também ajudava a cuidar dos cães de lá. Foi assim que nos conhecemos). Fiquei com as 3 fêmeas e, depois de 2 semanas, a protetora Lilian Keli pegou esta mocinha para cuidar e doar. Todos tinham fungos.


Eu fiquei com Puppy e Linda. Mais tarde uma moça se ofereceu para cuidar até doar e depois de uma semana quis adotar. Fiquei feliz. Só que o marido dela não gostou e depois de 1 mes ela me liga,  chorando, que ele as estava maltrando (?). Vou omitir o nome pois ela tem boa vontade mas, definitivamente, nao teve condições de cuidar. Uma tarde levou as 2 para meu apto, de volta, para eu doar novamente. Fiquei chocada com o estado delas! Os fungos não curaram e aumentaram. Elas estavam magras, estressadas e com sarna. Foram para meu apto e as tratei. Doei primeiro a Linda e depois resgatei outros  2 cães em estado crítico e urgente. Tudo é urgente em se tratando de vidas. Mas eu tive a sorte grande: a Mariana Siebert se ofereceu para ser Lar de apoio. Eu com 3 no apto para doar, fora os meus. Perguntei à ela: um filhotinho sapeca, lindo  e perfeito ou uma cadela calma e maravilhosa mas ainda tratando da pele? Ela optou pela Puppy e continuou o tratamento, que a curou, dando exatamente o que faltou para  ela: AMOR. Agradeço as pessoas que puderam ajudar neste caso. Quem acompanhou de perto sabe como eu fiquei mal ao ve-las de volta, naquele estado. E  medrosas. Pobres anjos. Duas fotos das irmãs, que viviam juntas. Foi uma pena separá-las mas a Linda era muito dominante e talvez tenha sido melhor para a Puppy.
                                                 Muito chiques.DNA?
 Abaixo fotos da PUPI na casa de Mariana Siebert. Nem preciso dizer que Mariana
 deixou de ser Lar de Apoio para virar adotante e a Pupi não poderia estar melhor. 
Curada de tudo, bem cuidada e feliz. Obrigada Mariana!





             Mariana hoje tem todos estes, lindos! Nina e Seu Jorge se juntaram a turma. Pupi foi para o Lar de Apoio em 30/05/2009 e seu termo de adoção foi assinado em 24/07, dois meses depois. Felicidades para a família!


Com tempo e calma vou relatando a história de cada cãozinho resgatado, para que possam  conhecer a realidade e para que entendam,  de uma vez por todas: eles contam com quem os vê e precisam de socorro IMEDIATO.  Nem sempre podemos resgatar,  e daí?



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

EU SABIA! Cães entendem Humanos.

Como se fossem bebês, cães entendem humanos, diz estudo.
DO "NEW YORK TIMES"



Pesquisadores da Hungria dizem que compreensão de cão é equivalente a bebês de seis meses a um ano de idade.

Muitas pessoas conversam com seus cachorros como se estivessem se dirigindo a seus filhos. Agora, um novo estudo relata que esses animais têm uma compreensão de uma criança de seis meses a um ano de idade, sendo capazes de compreender a comunicação humana e interpretar intenções de forma correta. Pesquisadores da Hungria, que publicaram o estudo na revista "Current Biology", mostraram dois vídeos a um grupo de cães.
No primeiro, uma mulher diz "olá, cão", enquanto olha diretamente para a câmera. A mulher então se vira em direção a um contêiner, e o cão segue seu olhar. No entanto, quando a mulher olha para baixo, e não para a câmera, e pronuncia a mesma frase, o cão não segue seu olhar subsequente.
Para os estudiosos, os cães captam a diferença sutil no comportamento da mulher nas duas situações, diz Adam Miklosi, biólogo comportamental da Universidade Eotvos Lorand de Budapeste, na Hungria, e um dos autores da pesquisa. O estudo mostra que os cães são capazes de "ler" o comportamento humano, acredita o pesquisador, como os humanos em sua primeira infância.
"Os cães são funcionalmente similares a um bebê", compara Miklosi. "Não sabemos como a mente canina lida com o problema, mas deve ser provavelmente uma maneira diferente do bebê".
Os cães presumivelmente adquiriram esta habilidade após gerações de domesticação. "Estar numa família humana confere aos cães a habilidade de interagir de forma humana", diz Miklosi.
"Você realmente pode tratar seu cão como uma espécie de bebê, coisa que não faria com um bode ou outro animal doméstico", explica.
Link original aqui
Fotos Ficacãomigo

                            



domingo, 15 de janeiro de 2012

O QUE É SER PROTETOR DE ANIMAIS?

O QUE É SER UM PROTETOR DE ANIMAIS?



Hoje em dia a proteção animal virou um modismo. Muita gente acha bacana dizer que é “Protetor de Animais”, mas o que exatamente ser um “Protetor de Animais”?
Para começar gostaria de esclarecer que proteger animais não é chamar uma ONG ou ligar para um protetor independente quando um animal está sendo mal tratado. Proteger animais também não é ficar no computador apenas repassando pedidos de ajuda, nem se sentir no direito de exigir e cobrar que pessoas ligadas a causa façam o que você considera certo fazer. Estas são apenas formas de divulgar ações e necessidades ligadas a causa, e não a proteção em sua essência.
Em primeiro lugar é importante saber que protetores de animais são pessoas iguais a você, eles trabalham, estudam, possuem família, filhos, quintal pequeno, moram em apartamento em alguns casos, mas decidiram arregaçar as mangas e fazer a diferença. Um dia desses eu ouvi que “ser protetor de animais é um apostolado”, e isso significa você dedicar sua vida, seu tempo e seu dinheiro a uma causa que muito provavelmente “nunca” lhe trará nenhum retorno material. Consiste também em mudar seus hábitos alimentares (parar de consumir carne), hábitos de diversão (rodeios, vaquejadas, touradas, feiras de exposição, de exploração, de competição, etc.), hábitos de consumo (roupas de origem animal como casacos de pele, etc.), hábitos em geral.
O “protetor de animais” muda sua visão em relação a vida, passa a respeitar toda forma de vida, passa a lutar pela defesa dos direitos dos animais, pela castração, pela adoção, por leis mais rígidas e que os defendam, pela conscientização da população, contra a exploração animal em todas as suas formas, contra o comercio de animais, etc.
Ninguém muda estes hábitos facilmente, nenhuma pessoa que conheço  amanheceu e disse: a partir de hoje sou um protetor de animais e vou deixar de fazer tudo o que fiz a minha vida inteira. A vontade de ajudar nos impulsiona a levantar e ir, com o tempo criamos cada vez mais a consciência em relação aos assuntos relacionados à causa, nossos hábitos são mudados aos poucos e gradativamente. É uma luta pessoal contra nós mesmo, e em alguns casos, contra nossos familiares que não conseguem entender e aceitar essa mudança.
Ser um “protetor de animais” é ter responsabilidade social de maneira totalmente independente da caridade. Promover a conscientização em relação ao respeito dos animais é uma das bandeiras mais importantes da causa, fazer com que as pessoas enxerguem que o animal tem uma vida que precisa ser respeitada, é uma batalha constante. Os animais existem da mesma maneira que todos nós, possuem suas individualidades e não estão aqui para nos servir.
Os defensores dos animais devem ser felizes com sua bandeira, devem se orgulhar do que fazem. Se defender animais te trouxer algum tipo de angústia, talvez seja a hora de repensar e mudar de causa. Os animais precisam de pessoas sensatas, que estejam sempre empenhadas em aprender, que estejam dispostas a tentar mudar o mundo, mas se conseguirem mudar apenas a pessoa que está ao seu lado, já fizeram muito mais do que 99% da população. Os animais não podem se defender, eles só têm a nós, seres humanos, para defendê-los, e exatamente por isso temos que nos manter equilibrados para fazê-lo, e fazer com prazer, paixão e de maneira otimista. Pessoas agressivas e desacreditadas, não apenas na causa animais mas em todas as causas, geralmente não conseguem atingir seus objetivos na sociedade, pois não conseguem desenvolver o potencial necessário para valorizar a causa que defendem.
Tenha sempre a frente, e como referência, pessoas inseridas na causa e que desenvolvam um trabalho baseado na seriedade e, acima de tudo, idoneidade. Fuja dos falsos protetores, pessoas que estão inseridas na causa tentando tirar benefícios materiais ou prestígio. Acredite em você e em seus objetivos, arregace as mangas e faça, não tenha projetos alimentados apenas pela esperança, estabeleça objetivos e metas, faça você também a diferença. Pense qual a melhor forma de ajudar os animais, quais os seus pontos fortes, se você gostaria de trabalhar com resgates, com adoção, com maus tratos, com educação, contra exploração, etc.
Acredite em você, e dê o seu melhor.  Abrace uma causa, qualquer causa, mas faça-o com responsabilidade e de coração aberto. Mude seus conceitos, abandone os preconceitos e faça a diferença.

Existem 3 tipos de pessoas:  As que fazem acontecer, as que deixam acontecer e as que perguntam o que aconteceu? (John Richardson Jr)

Lilian Rockenbach
Link original: http://lilian.rockenbach.zip.net/arch2010-04-01_2010-04-30.html

sábado, 14 de janeiro de 2012

Caso da ninhada abandonada no bairro Carianos

Ontem a perplexidade tomou conta de várias pessoas quando postei um pedido de socorro para uma ninhada, com esta foto, no Face Book:

Annita Petry Você pode ajudar? O endereço e minha contribuição estão abaixo....estou indignada. Como a pessoa que bateu a foto conseguiu deixa-los lá, neste estado????????
Gente, recebi email ontem sobre uma ninhada, pedi fotos, abri agora (01.21am) e
a situação é prá lá de URGENTE, alguem pode ir ver?
Av/Rodovia Diomício Freitas, nº. 2526   -   Bairro CARIANOS
Dou 10 kilos de pedigree filhote, pago uma vacina e castração e as despesas deste (a) doente, se ainda houver o que fazer mas nao posso resgatar...parece que eram 6 ontem e hj sao 4.

Aqui os email que troquei com quem mandou o pedido inicial, cujo conteudo nem leio todo, pois toda semana recebemos pedidos semelhantes. Quem tem email, Blog, ONG, e está há anos no meio, com cartazes e telefone compartilhados por todos os lados, sabe do que eu falo. Por telefone nem deixo falar. Quando recebo emails, mando respostas como esta, meio padrao, que encaminhei para a pessoa.

Date: Thu, 12 Jan 2012 00:42:53 -0300
Subject: URGENTE, Filhotinhos em apuros.
From: annitapetry@gmail.com

Olá xxxxxx, recebi seu email por  xxxxx e, para ajudar vc,  precisamos URGENTE de fotografias
da ninhada, e saber qtos machos e femeas, de preferencia fotos dos machos e das femeas separadas, para cartaz, pois tem mais impacto sobre as pessoas ( no link explica).
Sem o apelo visual dificil que alguem ajude pois a cidade está lotada de ninhadas abandonadas
e pior, sem a mãe, daqui a 6 meses acontecerá de novo!
Sugiro que, se eles estiverem sem a mãe para amamentá-los vc os leve
 na DIBEA (Diretoria de Bem estar Animal da PMF) urgente, antes que morram de fome.
Leve um documento comprovando  que vc mora em Fpolis e cópia da identidade.
Fones de lá 32345677 ou  3237 6890

Por favor, leia este link, é importante:
http://www.ficacaomigo.com/2011/08/como-ajudar-um-animal-abandonado.html
Obrigada,
Att,  Annita Petry

Acabou sendo um caso bárbaro,  porque acho que a pessoa  não leu e a maioria  não entende - AINDA -  como funciona a Proteção Animal em Florianópolis - totalmente VOLUNTÁRIA. Ou seja, cada um faz o que pode, quando pode, se puder. Em nossa cidade temos a DIBEA - Diretoria de Bem Estar Animal, da Prefeitura, que todos os dias recebe mil pedidos de socorro e não tem como  atender a todos (o email tambem foi para eles), mesmo sendo um órgão público. Assim, uma pessoa sozinha, faz o que puder, quando tiver condições e a condição individual de cada uma, só esta uma sabe. Ter MUITO espaço não obrigada ninguém a encher sua casa de animais, ter dinheiro não te obriga a gastar tudo com uma causa, etc etc etc. Limites são saudáveis, para tudo.
Temos várias ONG`s de Proteção em Florianópolis e, até onde eu saiba, nenhuma recebe verbas públicas, como muita gente acredita. É da ajuda de pessoas como eu e voce, que ONG`s de proteção se sustentam. Se voce não ajuda, não peça. E por favor, leia quando alguém ensina como proceder. Acredite, NÃO há quem recolha. Quem vê o caso tem que primeiro abrigar o animal, ou levar na DIBEA, se morar em Florianópolis, e DEPOIS, so depois deles estarem em seguranca,  pedir ajuda. Atualmente estou ajudando 2 ninhadas a conseguirem família, além de outros cães, que uma pessoa recolheu e nao sabe como fazer - vai acabar sabendo, pois eu ensino e ajudo com tudo, especialmente sobre como funciona esta engrenagem, as vezes emperrada, pois cada pessoa tem sua vida pessoal,  personalidades e formacoes diferentes, que fazem com que muitas facções se formem. Como em todos os meios, há pessoas dissonantes, inclusive em núcleos familiares. Utopia pensar diferente. Normal.

O que nao é normal, é a crítica escancarada e a competição que algumas pessoas  sempre tem em relação aos outros. Se acham perfeitas mas fazem exatamente o mesmo, ou muito menos. Quem está no meio, viver criticando quem esta tentando ajudar de alguma maneira,  é um tiro no proprio pé. Ninguém pode ajudar sempre ou do mesmo modo, todos os casos! Sinto muito, não somos Deuses. Agora, se preocupar mais em denegrir os outros do que ajudar efetivamente, é um absurdo. Isso incomoda, por ser injusto e maldoso mas, em algum momento, esta pessoa vai sentir o peso de sua própria maldade. Acontece que isso é nocivo para a causa e faz com que muita gente considere protetores como pessoas desajustadas, e algumas são mesmo, infelizmente...

Enfim, quem ajudou,  foi lá e fez, preocupada com os filhotes apenas. Agradeço a Marta Regina Lauermann e Ana Paula Meurer  que foram de manhã ao local e conseguiram salvar ao menos uma bebê, mas MUITOS por aí não são salvos, como os maninhos dela... Não tem como ajudar todos, infelizmente. A rede funciona e podemos ainda contar com nosso grupo que, embora espalhado, deve ser unido para o mesmo fim!

A ajuda efetiva é castrar, castrar, castrar. Faça isso, por favor. Leia aqui
 http://www.ficacaomigo.com/p/castracao-social.html
tudo sobre castrar, preços, locais gratuitos, telefone para comprar vales. TUDO.

Abaixo os cartazes que  surgiram deste caso. Muita gente se importou mas há muitos filhotes ainda para serem resgatados...AJUDEM, se puderem! Obrigada

O cartaz abaixo foi elaborado pela Marta Regina Lauermann 
 Este aqui foi elaborado por Marta Dora, da OPA, que foi no local a tarde, sem saber que haviam ido mais cedo
 Este,  feito por Marta Regina,  sera impresso e colocado no bairro em questao.

Como prometi, assumirei todas as despesas desta pequeninha e na terca feira a
a linda JOANA guerreira vira para mim. 
Obrigada a todos os que compartilharam e que permitiram que ao menos ela fosse
salva! Estara para adocao daqui ha 2 meses. Seguimos....

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

“Por que não vão defender as crianças com fome?”

Quem critica, faz o que pelo mundo? Texto excelente.
RESPOSTA À PERGUNTA DE ALGUMAS PESSOAS:


“Por que não vão defender as crianças com fome?” Por Francisco José Papi

Questão interessante.
Vamos ver se essa eu consigo responder de modo  didático.
1) Quem faz esta pergunta admite que existem dois tipos de pessoas no mundo: As Pessoas Que Ajudam e as Pessoas Que Não Ajudam.
Além disso, admite também que faz parte das Pessoas Que Não Ajudam, afinal, do contrário,  diria  “Por que não me ajudam a defender as crianças com fome?”, ou “Venham defender comigo as crianças com fome!”, ou “Não, obrigada, vou defender as crianças com fome”.
Então ela se coloca claramente através de sua escolha de palavras como uma Pessoa Que Não Ajuda.
É curioso,  a Pessoa Que Não Ajuda, não faz nenhum esforço para ajudar, mas, sim, para tentar dirigir as ações das Pessoas Que Ajudam. É bastante interessante. Se eu fosse até sua casa organizar sua vida financeira sob a alegação de que eu sei muito mais sobre administração familiar eu estaria interferindo, mas ela se sente no direito de interferir nas ações que uma pessoa resolve tomar para aliviar os problemas que ela encontra ao seu redor.
É uma Pessoa Que Não Ajuda, mas ainda assim quer decidir quem merece ajuda das Pessoas Que Ajudam e o nome disso é “prepotência”.
2) Pessoas Que Ajudam nunca vão ajudar as “crianças com fome”.
    Nem tampouco os “velhos”, os “doentes” ou os “despossuídos”.
E sabe por quê?
Porque “crianças com fome” ou “velhos” ou qualquer outro destes é abstrato demais. Não têm face, não são ninguém. São figuras de retóricas de quem gosta de comentar sobre o estado do mundo atual enquanto beberica seu uisquezinho no conforto de sua casa.
Pessoas Que Ajudam agem em cima do que existe, do que elas podem ver, do que lhes chama atenção naquele momento. Elas não ajudam “os velhos”, elas ajudam “os velhos do asilo X com 50,00 reais por mês”.

Elas não ajudam “as crianças com fome”, elas ajudam “as crianças do orfanato Y com a conta do supermercado”.

Elas não ajudam “os doentes”, elas ajudam o “Instituto da Doença Z com uma tarde por semana contando histórias aos pacientes”.

Pessoas Que Ajudam não ficam esperando esses seres vagos e difusos como as “crianças com fome” baterem na porta da sua casa e perguntar se elas podem lhe ajudar.
Pessoas Que Ajudam vão atrás de questões muito mais pontuais.
Pessoas Que Ajudam cobram das autoridades punição contra quem maltrata uma cadela indefesa sem motivo.
Pessoas Que Ajudam dão auxílio a um pai de família que perdeu o emprego e não tem como sustentar seus filhos por um tempo.

Pessoas Que Ajudam tiram satisfação de quem persegue uma velhinha no meio da rua.

Pessoas Que Ajudam dão aulas de graça para crianças de um bairro pobre.

Pessoas Que Ajudam levantam fundos para que alguém com uma doença rara possa ir se tratar no exterior.

Pessoas Que Ajudam não fogem da raia quando vêem QUALQUER COISA onde elas possam ser úteis. Quem se preocupa com algo tão difuso e sem cara como as “crianças com fome” são as Pessoas Que Não Ajudam.

3) Pessoas Que Ajudam são incrivelmente multitarefa, ao contrário da preocupação que as    Pessoas Que Não Ajudam manifestam a seu respeito. (Preocupação até justificada porque, afinal, quem nunca faz nada realmente deve achar que é muito difícil fazer alguma coisa, quanto mais várias).

O fato de uma Pessoa Que Ajuda se preocupar com a punição de quem burlou a lei e torturou inutilmente um animal não significa que ela forçosamente comeu o cérebro de criancinhas no café da manhã. Não existe uma disputa de facções entre Pessoas Que Ajudam, tipo “humanos versus animais”.
Geralmente as Pessoas Que Ajudam, até por estarem em menor número, ajudam várias causas ao mesmo tempo. Elas vão onde precisam estar, portanto muitas das Pessoas Que Ajudam que acham importante fazer valer a lei no caso de maus-tratos a um animal são pessoas que ao mesmo tempo doam sangue, fazem trabalho voluntário, levantam fundos, são gentis com os menos privilegiados e batalham por condições melhores de  vida para aqueles que não conseguem fazê-lo sozinhos.
Talvez você não saiba porque, afinal, as Pessoas Que Ajudam não saem alardeando por aí quando precisam de assinaturas para dobrar a pena para quem comete atrocidades contra animais, que estão fazendo todas estas outras coisas, quase que diariamente. E acho que é por isso que você pensa que se elas estão lutando por uma causa que você “não curte”, elas não estão fazendo outras pequenas ou grandes ações para os diversos outros problemas que elas vêem no mundo. Elas estão, sim. E se fazem ouvir como podem, porque sempre tem uma Pessoa Que Não Ajuda no meio para dar pitaco.
Então, como dizia meu avô, “muito ajuda quem não atrapalha”. Porque a gente já tem muito trabalho ajudando pessoas e animais que precisam (algumas até poderiam ser chamadas tecnicamente de “crianças com fome”, se assim preferem os que não ajudam).

(Este texto pode e deve ser reproduzido – Escrito em 13/04/2005)
Fonte:  ANDA


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Por que as pessoas se incomodam tanto com quem está ajudando animais?


Hoje postei numa rede social a seguinte questão: 
 Por que  as pessoas se incomodam tanto com quem está ajudando animais?
A pergunta gerou vários comentários interessantes e notei que é comum, ou seja, quem se importa e faz alguma coisa sempre tem amigos (?) ou familiares, prontos para criticar. Entre as respostas, indicaram o texto que está abaixo dos comentários, que tomei a liberdade de copiar aqui:
Silvia Araujo Nem perca tempo tentando entender o óbvio. "Apenas as ignorantes se incomodam!" Feliz 2012! Bjs
Camila Petry Eu sempre digo assim: o dia que eu puder pegar uma criança da rua e levar pra casa sem ser processada, eu faço!
Raquel Kel Cada um se dedica àquilo com que se identifica: uns cuidam dos animais, outros cuidam da flora, outros cuidam das crianças desamparadas, outros cuidam dos idosos. E há aqueles que cuidam do umbigo dos que ajudam os animais!! Seria uma boa resposta, já que geralmente esses "indignados" não ajudam ninguém, só sabem reclamar dos nossos cuidados para com os animais.
Eduardo Nasi .........provavelmente não cuidam de ninguem e não são cuidados por ninguem , isso deve ser INVEJA ! NÃO RECEBEM NEM DÃO AMOR A NENHUM SER VIVO !
Ana Lucia Tcatch Meninas,eu também tenho esse problema,volta e meia eu me meto em encrenca por ajudar os animais.Eu sempre digo uma coisa não exclui a outra,todos merecem atenção e cuidado,só que não dá para comparar criança com animais.As pessoas tem vara de família ,Ministério Público,Juizado de infância,Estatuto do Idoso e por aí vai....Esses que falam nunca ajudaram,nem pessoas muito menos animais...........Tem um texto maravilhoso de uma jornalista chamada Cora Ronai, TROQUE SEU GATINHO POR UMA CRIANÇA POBRE.
Guilherme E Meri
TROQUE SEU GATINHO POR UMA CRIANÇA POBRE...(postou o texto)
Jackie C D Baltazar acho que é inveja dos animais, pois eles nao tem ninguém que lhes dê atençao, só pode!!!

Ja Giroldi Porque não estão fazendo nada por ninguém e têm tempo livre pra encher a vida alheia. Uma boa causa pra essa gente resolveria o problema.

Cristiana Tramonte Porque recorda à ela o quanto está inativa e egoísta diante de tanto sofrimento no mundo?
..........agradeço a todos  por colaborarem e me mandem, sempre, textos assim, por favor.
TROQUE SEU GATINHO POR UMA CRIANÇA POBRE
Enquanto trabalho, eles ficam aqui em volta, cada qual do seu jeito: Keaton em cima do computador, Netcat deitada no tapetinho debaixo da poltrona, Tati na cadeira de diretor ali ao lado, Lucas em c...
ima da escrivaninha, Mosca e Tutu indo e vindo, Pipoca às vezes caçando um inseto, às vezes na janela, apreciando a noite.
Estou convencida de que os bigodes tão bonitinhos que têm são antenas que captam as vibrações do ambiente e da alma da gente. São solidários e companheiros, atentos e carinhosos. Às vezes, quando acham que estou concentrada demais no trabalho, dão pequenos puxões na minha roupa ou nos meus braços, as patinhas fechadas com grande cuidado para não machucar.
Apesar de lindos — e vaidosos! — eles sabem que beleza não é fundamental; fundamental mesmo é delicadeza, essa qualidade tão em falta na vida da gente.
Como muitos de vocês sabem, levo uma vida dupla. Não escrevo apenas no jornal, mas também num blog, isto é, uma espécie de diário que mantenho na internet, onde anoto idéias, comento uma coisa ou outra, mostro umas fotos. O textinho acima escrevi no domingo de madrugada quando, justamente, a Tati desceu da tal cadeira de diretor e veio dar uns puxões na minha roupa, pedindo atenção.
Foi um mix de observação do cotidiano com declaração de amor, uma daquelas coisas que a gente escreve sem qualquer pretensão, apenas para dividir com os amigos um momento de carinho; mas suscitou, pela enésima vez, a pergunta que nenhum dono de animal de estimação agüenta mais ouvir.
“Você tem um apreço muito grande pelos gatos, dos quais também gosto, tenho um, mas acho que, de sua parte e de tantas outras pessoas, há exagero”, escreveu um leitor. “Em vez de se ter tantos gatos, como você tem, por que não adotar uma criança sem-mãe-nem-pai? Não tenho nada com a sua vida, mas me preocupam — muito mais do que os gatos — as crianças que choram pelo carinho de alguém que possam chamar de mãe ou de pai — sobretudo de mãe. Em muitos casos, aliás, não se trata de escolher entre gatos ou criança, porque há condições financeiras e afetivas para se dedicar a um filhote humano, digamos assim, e ao mesmo tempo a um felino — para que ter seis, dez gatos?”
Desconfio muito da bondade e das boas intenções de quem questiona o amor aos animais, mas decidi responder ao leitor para esclarecer, de uma vez, o meu ponto de vista em relação ao assunto. Escrevi o seguinte:
Esta é uma pergunta clássica, feita por quem ou não tem animais ou não tem filhos; como você diz que tem um gato, suponho que não tenha filhos. É também uma pergunta muito difícil de responder, porque se a pessoa não percebe sozinha a diferença abissal entre uma criança e um animal de estimação fica complicadíssimo explicar — mas vou tentar.
Ninguém adota um filho porque tem um dinheirinho — ou um afetinho — sobrando, temporariamente desviados para quadrúpedes. Até porque ser um pai ou mãe responsável não é só pagar a escola e o pediatra e fazer um eventual carinho na criança ao chegar em casa; é se atirar de corpo e alma na construção de uma pessoa, ensinar, dar e mostrar exemplos, cuidar, levar e buscar na escola, no balé e no inglês, estar atenta ao que ela faz e com quem se relaciona, dar disciplina e compreensão nas doses certas, enfim... viver 24 horas por dia em função daquela criança. É preciso ter uma imensa disponibilidade de tempo, paciência e carinho para ser pai ou mãe de verdade; para não falar em dinheiro.
Como eu disse, não dá para comparar filhos e bichos de estimação; mas, ficando só no lado prático da questão, ninguém precisa levar um gato à escola, conferir os seus deveres de casa, checar se escovou os dentes antes de ir para a cama ou, na adolescência, ir buscá-lo às quatro da manhã numa festinha do outro lado da cidade.
Inversamente, eu não poderia deixar uma criança sozinha durante todo o tempo que passo fora de casa, sobretudo quando viajo. Os gatos também não gostam muito dessas separações, é verdade, mas aceitam a situação resignados.
Quanto à pergunta dentro da pergunta (“para que ter seis, dez gatos?”) posso garantir, pelo menos nos casos que conheço, que ninguém decide ter seis, dez ou quinze gatos. Os gatos acontecem na vida de quem gosta deles. Um dia a tua filha chega da faculdade trazendo um gatinho que estava sendo maltratado no bar da esquina; no outro, o porteiro traz uma gatinha que foi abandonada em frente ao prédio, às portas da morte; ou a faxineira vem com uma siamesinha que nasceu na favela e que ela não tem condições de criar; ou...
Enfim. Há milhões de crianças em condições desesperadoras, é verdade, mas a situação dos animais não é nada melhor, pelo contrário.
Eu criei dois filhos maravilhosos, que se tornaram adultos cheios de qualidades e me enchem de orgulho; e dou guarida aos gatinhos que a vida teve a consideração — a delicadeza — de pôr no meu caminho.


Autora: Cora Rónai
Colunista do Jornal "O Globo"

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ASAS PARA VOAR

Tao do bicho – Por Paula Brügger (janeiro de 2009)

Certa vez, durante minhas andanças em busca de materiais para uns reparos em casa, entrei num estabelecimento comercial que mantinha um pássaro preso numa gaiola mínima. O desafortunado pássaro pulava desesperado de um lado para o outro, obviamente procurando uma saída, mas nenhum ser humano percebia seu sofrimento. Ao lado de sua minúscula prisão, uma imagem de Nossa Senhora atraiu os comentários de alguém que estava ao meu lado. “Que linda Santa!”, exclamou uma senhora. Eu acenei com a cabeça, concordando, mas meus olhos e coração não conseguiam se distanciar daquela cena de agonia injustificável, já que não se tratava de uma peleja dessas na qual um animal luta para se libertar das garras de um predador, ou sobreviver a algum imprevisto de ordem climática, por exemplo. Pensei, naquele momento, que Nossa Senhora ordenaria a imediata soltura do pássaro, caso ela não fosse apenas uma imagem. Mas talvez não seja assim. Afinal, a tradição judaico-cristã tem uma orientação bastante antropocêntrica. E, enquanto se adoram imagens, seres vivos de verdade amargam uma existência cheia de dissabores.
Passado esse primeiro momento de angústia, me lembrei que não era a primeira vez que via naquela loja um ser alado numa gaiola. Tentei, mais uma vez, argumentar com o proprietário. Mas foi em vão, pois as explicações, nada convincentes, são sempre as mesmas: se a ave for solta morrerá, pois nasceu em cativeiro; ele (proprietário) tem “licença do Ibama” e não é a única pessoa no mundo que tem passarinho engaiolado (então por que polemizar justo com ele, certo?); a ave é muito bem tratada etc. etc., e por fim, a “pérola”: “Tenho porque gosto, cada um tem seu gosto”.
Mas, imagine o leitor, o que aconteceria se cada um de nós fizesse o que bem entende, seguindo apenas o seu gosto… Muitas atitudes consideradas moralmente deploráveis seriam corriqueiras e viveríamos num estado de permanente violência e violação de direitos. Se os animais não humanos não gozam dos mesmos direitos que nós (e o direito à liberdade é apenas um deles), é simplesmente porque somos especistas, isto é, acreditamos que somos superiores às outras espécies do planeta e podemos dispor delas como bem entendermos. E que gosto sádico é esse de privar da liberdade criaturas que nasceram com asas que lhes permitem ir tão longe? O mundo que para elas se descortina, lá do alto, é vasto, multidimensional, multicolorido e repleto de uma miríade de sons, odores e gradientes térmicos. Sua perspectiva é totalmente diferente da mesquinhez imposta pelas suas acanhadas jaulas. Que prazer egoísta é esse de ouvir seu choro, chamado eufemisticamente de canto? Será que os algozes dessas indefesas criaturas crêem ser possível, para nossos ouvidos grosseiros, distinguir entre um canto feliz e um dialeto lamurioso? E será que a ave realmente morreria se fosse solta? O fato é que, caso prefira a morte ao cativeiro, ela sequer terá a chance de fazer a escolha. Está fadada a sobreviver à tortura do cativeiro até que a morte a liberte e possa, finalmente, alçar vôo em direção a outro mundo. Não há gosto, bom tratamento, licença, ou alojamento suficientemente amplo ou confortável (sic) que justifiquem a prisão perpétua de um ser vivo senciente.
Libertação para todos nós
Anos atrás, morei num prédio onde havia um pássaro preto numa gaiola. A ave, em seu cárcere, era colocada sobre o parapeito de uma janela para que pudesse tomar sol e ver, de longe – sem jamais poder viver – todos os prazeres que a natureza lhe ofereceria como parte de sua trajetória na Terra. A cada vez que a ave infeliz entoava seu triste lamento, me lembrava de uma canção dos Beatles chamada “Blackbird”*. Sua letra e sua bela e melancólica melodia nos transportam ao mundo de um melro que canta na calada da noite, sonhando com a liberdade. Mas, para isso, precisa recuperar sua plenitude física. Não sei se a música se refere a um pássaro real, ou se trata apenas de uma metáfora. Pouco importa, pois isso não altera sua mensagem sobre o valor inestimável da liberdade. Que possamos desenvolver, nós humanos também, asas para voar para fora da prisão espiritual e intelectual em que estamos confinados.

Blackbird
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
Blackbird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free.

Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise, oh
You were only waiting for this moment to arise, oh
You were only waiting for this moment to arise.


(*): Blackbird é uma das músicas do famoso “Álbum Branco” do Beatles, de 1968, tido como um dos mais vendidos de todos os tempos nos EUA.

Fonte http://www.anda.jor.br/09/01/2009/asas-para-voar

Foto internet

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Apresento Ruiva, Pepa e Vivi para adoção!

Por favor divulguem estas cadelas de porte médio para grande?
Todas são adultas e  têm entre 20 e 30 kilos.
Estão saudáveis, castradas e vacinadas. Se dão bem com outros cães.
Acostumadas a dormir em casinhas, pegar sol e são tranquilas.
Acredito que a Ruiva e a Vivi sejam boas guardiãs, quando for necessário.
A Pepa (preta) é medrosa...muito arisca mesmo. Para resgatá-la foi um sufoco!
Se você procura uma companhia para o seu cão, recomendo.
Caso se interesse em adotar alguma delas, ligue 48. 99619169,
 a partir das 14 horas. E por favor, divulgue? Obrigada!