terça-feira, 30 de agosto de 2011

Como evitar que cães adotados fujam de casa

Pedi e fui atendida. Ana Corina me mandou este belo texto, elaborado por Cassia Santos, do blog Cão Amor.  Quanto mais divulgação tivermos, melhor para eles, nossos pet`s!
Bom seria se todo mundo que tivesse um animal lesse e se preocupasse com o bem estar deles.BOA LEITURA!


 O que os poderia deixar os peludos tão fascinados pela rua?

Antes da adoção

Antes de mais nada, é preciso lembrar que cães adotados (especialmente os adultos), possuem um histórico de vida próprio. Já vivenciaram inúmeras experiências e, muitas vezes, seu novo tutor não tem como saber tudo que aconteceu na vida deste cãozinho antes de conhecê-lo.
Imagine-se na situação de um peludo que vivia perambulando pelas ruas antes de ser resgatado. Afora as situações de risco vividas neste período (surras, brigas com outros cães, sustos ou acidentes ao atravessar a rua), não podemos esquecer que o cão era livre para explorar todo e qualquer ambiente que lhe interessasse. Cheiros atrativos, como fêmeas no cio ou comida, eram prontamente investigados. Ambientes acolhedores eram explorados e farejados antes de se tornarem um cantinho para dormir à noite. E o caminhar livremente pelas ruas era uma constante.
Cães têm em seu DNA um forte instinto exploratório. São curiosos por natureza e exploram tudo, utilizando seu olfato apuradíssimo. Qualquer um que convive com um peludo sabe e constata este fato o tempo todo.
Mesmo considerando a realidade de um cão que vivia em um abrigo antes de ser adotado, apesar de muitas vezes as condições de vida não serem ideais, em geral ele convivia com vários outros cães. A interação existe e, com ela, uma rotina de convívio com outros da mesma espécie.

Depois da adoção

Agora, imagine-se um cão que vivia em alguma das situações acima e que, de repente, se vê contido em uma casa e, quando tem a chance de sair (o passeio), está sempre com uma guia “ligando-o” ao novo dono, apenas para uma “voltinha” pelo mesmo quarteirão, todo dia. O instinto exploratório ainda está lá, mas agora, a contenção tornou-se uma realidade e o cachorro não pode mais sair correndo para cheirar e brincar à vontade, nem conhecer lugares diferentes. E, muitas vezes, ele sai de um local onde convivia com vários de sua espécie para viver sozinho, só tendo a companhia dos humanos da família.
Assim, me parece que uma razão muito forte para os inúmeros casos de fuga de cães recém-adotados reside na tentativa de ter a liberdade plena de volta. Este é um comportamento que antes era auto-recompensador: o cão queria explorar, e assim o fazia! Ora, antes de serem adotados, essa era a sua realidade! E, na nova situação, eles não possuem discernimento suficiente para entender que, agora, não podem mais sair para andar por aí livremente...

E como fazer para ter segurança em relação ao cão recém-adotado, no sentido de garantir que ele não escape?

Primeiramente, todo cão deve usar uma placa de identificação com seu nome e um telefone para contato. Essa medida simples já resolveria muitos casos de perda do cão. Ninguém em sã consciência achará que um cão com coleira e placa de identificação não tem dono...
Em segundo lugar, é muito importante treinar o cão em comandos de obediência desde o momento em que ele chega em sua nova casa. Contratar um profissional especialista em comportamento canino facilita, e muito, esta tarefa, pois ele direcionará o treinamento de forma planejada para que a família possa ter controle sobre o cão em situações de abertura do portão da garagem, por exemplo.
A meu ver, os comandos de obediência mais úteis para evitar fugas são o “fica”, “para” e o “vem”. Um cão que assimilou bem os treinos desses comandos, baseados no reforço positivo, obedecerá ao dono quando a porta se abrir e o primeiro impulso for sair correndo! Neste momento, o comando “pára” fará com que ele interrompa a corrida e preste atenção no dono! O “fica” vai muito bem na hora de abrir a garagem para sair com o carro. É muito importante, durante os treinos e mesmo depois que o cão já estiver “craque” no comando, recompensá-lo por ter ficado! Jogar um osso gostoso quando for fechar o portão é uma ótima pedida (cuidado no caso de serem dois ou mais cães: eles podem brigar pelo “prêmio”...).
Além disso, é importante proporcionar atividades para o cão. A rua e seus inúmeros cheiros, pessoas, cães e outros animais e vários lugares “cheirosos” para fazer xixi e cocô, tudo é muito mais interessante do que um quintal cercado de muros, sem nada para fazer, nem outros cães para brincar... Assim, tornar este novo ambiente rico em atividades para o cão, com brinquedos que ele possa roer, que liberem comida, facilitará o dia a dia em família. Manter uma rotina de passeios longos e vigorosos, por locais diferentes, onde o cão possa ter contato com situações, pessoas e outros cães, também fará toda a diferença!
Com estes cuidados simples, certamente a possibilidade do cão recém-adotado fugir diminuirá consideravelmente! Planejar este tipo de mudança comportamental faz parte da decisão de adotar um peludo, para que ele possa ter uma vida saudável do ponto de vista fisiológico, mas também mental!
Cassia Santos